By andretj866 / Posted on 20:49 / Categories: Notícias
Em meio aos protestos dos caminhoneiros,
associações relatam impactos na produção e distribuição de alimentos,
enquanto supermercados e postos de combustíveis em vários estados
enfrentam dificuldades para repor os produtos.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mais da
metade da produção de carne suína e de aves já está parada, com 78 frigoríficos
com operações suspensas. A Associação Brasileira das Indústrias
Exportadoras de Carne (ABIEC) acrescenta que há também impactos na
produção de carne bovina.
Até agora, 129 frigoríficos
já pararam as produções de carne bovina, suína e de aves. As
associações que representam os setores estimam que esse número suba para
208 até sexta-feira (25) se a situação não se normalizar. Caso isso se
confirme, o resultado será a paralisação de cerca de 90% da produção nacional de carne.
Entre as grandes empresas produtoras de carne, a JBS e a BRF anunciaram
paralisações. A primeira diz que “está adotando medidas em suas
operações (fábricas) e logística, que inclui a paralisação de algumas
unidades de carne bovina, aves e suínos, em razão da impossibilidade de
escoar sua produção”. As unidades paralisadas pela JBS ficam em5 estados (Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul).
Já a BRF anunciou paralisação da produção em virtude da dificuldade de
escoar os produtos, além da falta de recebimento de matéria prima,
insumos e animais para abate. Segundo a Reuters, são 13 unidadescom operações suspensas nesta quarta.
A produção de outros alimentos também é impactada, como o leite. O
Jornal Hoje mostrou que, em uma cooperativa no Paraná, foram descartados
6 mil litros em dois dias por causa da dificuldade de escoar a
produção. Outro produtor jogou fora um total de 1,3 mil litros pelo
mesmo motivo.
Paralisação dos caminhoneiros afeta a agropecuária
A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) disse que manterá somente até esta sexta (25) a liberação do transporte de remédios, carga viva e produtos perecíveis.
Supermercados desabastecidos
O movimento dos caminhoneiros também tem provocado falta de produtos
nas prateleiras dos supermercados em diversos estados. “Isso poderá se
estender para todo o Brasil nos próximos dias, se algo não for feito”,
disse a entidade em nota.
Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), foram
registrados até a tarde desta quarta casos de desabastecimento em Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Minas Gerais,
Ceará, Tocantins, Santa Catarina e São Paulo.
Caminhões que levam alimentos não conseguem chegar até a Ceasa. Os
preços começam a subir no Rio. (Foto: Priscila Chagas/ TV Globo)
No Rio de Janeiro, a falta de produtos já começou a impactar os preços, com o valor de um saco de batata chegando a R$ 500 na Ceasa. Em
Juiz de Fora (MG), uma rede de supermercados colocou cartazes em várias
lojas avisando sobre a possibilidade de falta de alguns produtos.
Na Ceagesp, em São Paulo, os carros estão vazios ou parados, enquanto
funcionários ficam à espera de serviço. Os boxes estão com caixas
vazias, pois, desde terça-feira (22), não chega mercadoria. A companhia
confirmou, por meio de nota, que a greve dos caminhoneiros está afetando
o abastacimento e que "alguns produtos começam a ter problemas na
oferta/chegada".
Combustíveis em falta
Falta de combustíveis causou filas em postos de gasolina do Grande Recife (Foto: Rafael Pimenta/TV Globo)
Também há desabastecimento nos postos de combustíveis. Segundo a
Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes
(Fecombustíveis), já foram registrados casos no Rio de Janeiro, cidades
do Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.
Mas outros estados também registraram o problema, como Minas Gerais e
Tocantins. No Mato Grosso, por exemplo, a falta de combustíveis afetou o
transporte escolar em Primavera do Leste, onde a prefeitura decidiu suspender o serviço de algumas escolas.
Há ainda um alerta sobre os combustíveis para aviões.
Segundo a Infraero, 5 aeroportos no Brasil têm combustível suficiente
para operar somente até esta quarta-feira, enquanto outros 6 têm para,
no máximo, dois dias.
Outros produtos e serviços
Há ainda dificuldades na distribuição de gás de cozinha em Goiânia e no Distrito Federal, segundo o Sindigás. Já os Correios suspenderam temporariamente as postagens das encomendas com dia e hora marcados (Sedex 10, 12 e Hoje).